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abril 13, 2011

Para uma Capitulina


Deixa eu fazer um poema pra ti?  

Tu quando me vês dança 
Minha cigana, 
Por que não me deixa despir?
Não teu corpo, mas tua alma 
Quero saber dos segredos que há aí. 
Me deixa despir...  
Dança, minha cigana 
Dança ao som da música que escolhi para ti.
Ah! Quero saber-te os desejos
Os amores... Vamos... Diga-me 
Ah! Ela só dança ao som da música que escolhi. 
Escapa de minhas mãos 
Corre por entre campos de flores e foge de mim. 
Menina levada, volta aqui.  
Eu ainda vou descobrir
Teu corpo, os segredos, os sonhos... 
esse mundo que você faz questão de cobrir


maio 15, 2010

Mocinhas...

William Bouguereau



Oh! inexoráveis mocinhas
Um tanto certinhas 
Um tanto banais 

Ninguém sabe das tramas
Das garotinhas 
Um tanto santinhas 
Um tanto bobinhas
Mas espertinhas demais 

E das ideias se sabe apenas
Das tramas pequenas (ou colossais?)
Dos sonhos do mar
Dos sonhos das noites

Das mil e uma noites
De Penélope ou Capitu
Da ideal à moça
dos olhares infindos...


Ah... Ninguém sabe da tramas!...
Se das moças, fazem siganas...
Sacanas, mundanas...
São coisas demais

Não sou capaz de desfazê-las
Oh antíteses antigas
Das moças de símbolos 
De danças e novelos 
(Ah! São menininhas demais!)



William Waterhouse

abril 18, 2010

Um umbigo literário

Li uma vez que Fernando Pessoa tinha certo asco à homossexualidade, entretanto se dizia mulher “na cabeça”, mas isso nunca passou para o seu corpo.
(Eu nunca li C a p i t u – esqueci: Dom Casmurro –, mas assisti a minissérie da Globo – que aliás, é divina. Tirei algumas conclusões sobre o romance, um dia lê-lo-ei.)

Às vezes penso na nossa literatura como um grande corpo feminino de cérebro masculino* e umbigo de Capitu, sim umbigo... Creio que você já deve ter ouvido falar de uma lei do centro que tem como exemplo a pintura Monalisa, por isso o quadro é tão genial. A ciência também fala disso – dessa lei Áurea; minha professora de cello diz para eu tocar com o arco na parte central das cordas, pois o som sai melhor. É coisa de centro. É melhor ficar no centro da sala. É muito bom ser o centro das atenções. Coisa de centro. Entretanto, não quero tornar “o centro” uma coisa matemática, pelo contrário, só quero dizer que Capitu é o centro. Li uma crônica-conto de Lygia Fagundes Telles – vou pegar o livro para reler – de título Rua Sabará, 400, quem estava nele? Capitu! Mas é perfeitamente compreensível, porque, juntamente com Paulo Emílio, ela estava escrevendo um roteiro para o romance. Agora li Capitu sou eu de Dalton Trevisan, já que me foi pedido, gostei muito; adorei a revolta: “A sonsa, a oblíqua, a perdida Capitu. Essa mulherinha à-toa.” O mais interessante nos dois textos é que as pessoas mud(av)am de opinião, nenhuma convicção, esta é uma obra eterna de uma eterna efemeridade. Nunca há um consenso, e como haver? Parar de discutir sobre o livro – ou talvez, a bruxaria? Eu não li, e já estou marcada. Conhece alguém sem umbigo? Conhece um escritor sem Capitu? *



* Muitas mulheres escreviam antigamente, mas elas tinham pseodônimos masculinos, um exemplo de mulher potiguar que não fez isso foi Auta de Souza.
* Pode existir!