No quarto passa a noite debruçado à secretária. Confundimo-lo com os livros, papéis, também lápis minúsculos que só ele consegue manusear. O cinzeiro cheio de pontas de cigarro. Escreve, compulsivamente, ao jovem amigo Casais Monteiro:
"…Desde criança tive a tendência para criar em meu torno um mundo fictício, de me cercar de amigos e conhecidos que nunca existiram. (Não sei, bem entendido, se realmente não existiram, ou se sou eu que não existo. Nestas coisas, como em todas, não devemos ser dogmáticos.) Desde que me conheço como sendo aquilo a que chamo eu, me lembro de precisar mentalmente, em figura, movimentos, carácter e história, várias figuras irreais que eram para mim tão visíveis e minhas como as coisas daquilo a que chamamos, porventura abusivamente, a vida-real. Esta tendência, que me vem desde que me lembro de ser um eu, tem me acompanhado sempre, mudando um pouco o tipo de música com que me encanta, mas não alterando nunca a sua maneira de encantar."
agosto 30, 2009
agosto 29, 2009
Recorte
Gabriel Lora
Eles cortam, mas não fazem só isso. Também reescrevem, mudam títulos, alteram personagens. São os editores que mexem e, muitas vezes, salvam os textos dos autores.
Revista BRAVO!
Agosto/2009
Os Mestres da Tesoura Eles cortam, mas não fazem só isso. Também reescrevem, mudam títulos, alteram personagens. São os editores que mexem e, muitas vezes, salvam os textos dos autores.
Por Mariana Delfini
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agosto 23, 2009
Modernismo: a ENTRADA
"Os Sapos"
Enfunando os papos,
Saem da penumbra,
Aos pulos, os sapos.
A luz os deslumbra.
Em ronco que aterra,
Berra o sapo-boi:
- "Meu pai foi à guerra!"
- "Não foi!" - "Foi!" - "Não foi!".
O sapo-tanoeiro,
Parnasiano aguado,
Diz: - "Meu cancioneiro
É bem martelado.
Vede como primo
Em comer os hiatos!
Que arte! E nunca rimo
Os termos cognatos!
O meu verso é bom
Frumento sem joio
Faço rimas com
Consoantes de apoio.
Vai por cinqüenta anos
Que lhes dei a norma:
Reduzi sem danos
A formas a forma.
Clame a saparia
Em críticas céticas:
Não há mais poesia,
Mas há artes poéticas . . ."
Urra o sapo-boi:
- "Meu pai foi rei" - "Foi!"
- "Não foi!" - "Foi!" - "Não foi!"
Brada em um assomo
O sapo-tanoeiro:
- "A grande arte é como
Lavor de joalheiro.
Ou bem de estatuário.
Tudo quanto é belo,
Tudo quanto é vário,
Canta no martelo."
Outros, sapos-pipas
(Um mal em si cabe),
Falam pelas tripas:
- "Sei!" - "Não sabe!" - "Sabe!".
Longe dessa grita,
Lá onde mais densa
A noite infinita
Verte a sombra imensa;
Lá, fugindo ao mundo,
Sem glória, sem fé,
No perau profundo
E solitário, é
Que soluças tu,
Transido de frio,
Sapo-cururu
Da beira do rio
Manuel Bandeira
_____________________________________________
"Os Sapos" causou uma grande (não foi lá muito boa) impressão na plateia na Semana de Arte Moderna no Teatro Municipal... O povo ficava dizendo: Não foi...Foi... Não foi...
O Modernismo não causou uma boa impressão... Mas foi um ótimo impressionador e ainda o é.
Oswald de Andrade declarou, comentando o que havia sido dito por Graça Aranha:
"Bestética na Arte Moderna"
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agosto 22, 2009
Das coisas que SEI, SEI POUCAS
Tantas coisas sei e não sei... Diante das coisas que não sei, sei muitas, das coisas que sei, sei poucas.
Pois o mundo é tanto saber e tão pouco tempo temos para aprender, o básico, pelo menos. Muitos de nós nem aprendem os princípios primordiais, aqueles que deveriam mover o mundo, nada obstante somos guiados pela ignorância disfarçada de sapiência e queremos levar vantagem em tudo, no trabalho, na amizade, na vida... Do que vale vantagem... Se no fim, todos somos iguais, matéria gerada pela matéria e feita para nascer, viver e morrer... Somos todos diferentes, sim... Mas somos seres chamados humanos e somos ditos como semelhantes ao criador, deve ser só na aparência, pois sobre o que eu sei do criador, ele não parece nada conosco, apesar da Bíblia mostrá-lo um pouco severo às vezes, ele parece-me muito mais sábio do que nós, me parece desprendido de tudo que é vil e vão.
Pois o mundo é tanto saber e tão pouco tempo temos para aprender, o básico, pelo menos. Muitos de nós nem aprendem os princípios primordiais, aqueles que deveriam mover o mundo, nada obstante somos guiados pela ignorância disfarçada de sapiência e queremos levar vantagem em tudo, no trabalho, na amizade, na vida... Do que vale vantagem... Se no fim, todos somos iguais, matéria gerada pela matéria e feita para nascer, viver e morrer... Somos todos diferentes, sim... Mas somos seres chamados humanos e somos ditos como semelhantes ao criador, deve ser só na aparência, pois sobre o que eu sei do criador, ele não parece nada conosco, apesar da Bíblia mostrá-lo um pouco severo às vezes, ele parece-me muito mais sábio do que nós, me parece desprendido de tudo que é vil e vão.
E nós? Somos todos seres indefesos mesmo assim aprendemos muito, fazemos muito, mas no fim não somos nada, nada demais perante a morte, nada demais perante a vida.
E esta busca? Acredito que tentamos preencher nossos espaços vazios com coisas fúteis, materiais, estas coisas suprem pequenas necessidades, por isso as queremos em maior quantidade. E continuamos assim semi-supridos, procurando sentidos os quais efêmeros de uma vida sem explicação.
Tentemos procurar nos sentimentos sentidos para o que chamamos de vida, ajudemos os outros, vamos completar-nos assim! Faremos de nossos dias, últimos e viveremos eternamente durante nossa passageira existência. Procuraremos na comiseração a vontade de viver e ser para os outros o que esperamos deles. Seremos então uma sociedade, um mundo que não vive de fantasias, porém de realidade. Viveremos, enfim de harmonia de coisas não materiais, mas espirituais, façamos da alegria do outros a nossas e sigamos felizes até o fim. Já que não sabemos o que nos espera.
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